Após morte de motorista, cobrador diz não ter condições de voltar ao trabalho

Familiares, amigos e colegas de trabalho deram o último adeus ao motorista de ônibus Raimundo Marconi Santana Silva, de 40 anos, morto a tiros na noite de segunda-feira (28), no exercício de sua função, após tentativa de assalto. Durante o velório, realizado na casa do pai da vítima, na manhã desta terça-feira (29), no Segundo Distrito de Rio Branco, o cobrador John Lennon, que também estava no coletivo no momento do crime, pediu justiça e afirmou não ter condições de voltar a trabalhar.

“Só peço muita justiça mesmo. Porque até eu fiquei com vontade de pedir as contas. É muito perigoso. A gente não pode trabalhar em paz. Eu não estou mais querendo ir”, diz Lennon, que é cobrador há oito meses e há três trabalhava com Marconi Silva. “Ele era um cara muito bacana. Tem nem o que falar mesmo. Infelizmente é a vida. A gente não tem segurança”, comenta.

Lennon diz ainda que os assaltantes chegaram a afirmar que não pretendiam machucar ninguém, apenas levar os pertences dos passageiros. “Um deles falou para todo mundo ficar de boa, que eles iam só fazer o assalto. Quando chegou em frente ao posto de gasolina, o motorista saiu da rota. Ele freou de uma vez o ônibus, foi em cima do bandido e levantou a mão dele [do assaltante] para cima. Foi quando outro atirou nele”, relembra.

Marconi tinha 40 anos, era do Piauí, e veio para o Acre aos 13 anos com os pais. Ele deixou uma filha de 8 anos e a noiva Elandia Gomes, com quem se relacionava há um ano e meio. Abalada, ela conta como recebeu a notícia da morte do companheiro.

“Uma colega nossa, que também é cobradora de ônibus, me ligou chorando, então eu imaginei que pudesse ter acontecido algo grave. Foi chocante, não tenho nem palavras até agora”, afirma.  Os dois pretendiam se casar até o fim do ano. “Íamos comemorar o casamento com uma viagem para Teresina (PI), para visitar a mãe dele que mora lá. Infelizmente não deu. Fica a saudade”, lamenta.

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