Rodízio de carros mais amplo não melhora trânsito em São Paulo

O motorista paulistano acordou com frio e sob ameaça de ter seu espaço ainda mais reduzido nas ruas da Capital. A CET – Companhia de Engenharia de Tráfego anuncia para setembro a ampliação em 240km da área em que o rodízio municipal estará em vigor, incluindo as avenidas Aricanduva (zona leste), Eliseu de Almeida (oeste), Inajar de Souza (norte) e Washington Luís (sul). A data para implantação do novo sistema estaria relacionada a melhoria do transporte público, que segundo o diretor de planejamento da companhia, Tadeu Leite Duarte, acontecerá com as novas faixas exclusivas de ônibus que estão sendo entregues desde o início da gestão Haddad.

Pesquisa anual feita pela própria CET mostra que a velocidade média dos veículos nos principais corredores caiu 12% no ano passado na comparação com 2011. Se antes estava ruim, agora ficou pior: enquanto pela manhã a velocidade média é de 23km/h, no período da tarde, é de apenas 15km/h. No horário de pico da manhã (7h às 10h), os congestionamentos subiram de 53 para 68 quilômetros e da tarde (18h às 21h) passaram de 107 para 120 quilômetros. Mesmo fora do horário de pico a situação ficou mais complicada: às 11 da manhã, o índice médio de congestionamento subiu cerca de 50%, de 34 para 66 quilômetros.

Com o desafio de mudar este cenário, a prefeitura tem investido na ideia de aumentar o espaço para os ônibus e restringir o dos carros. Foram instalados 70 quilômetros de faixas exclusivas para o transporte coletivo até agora, incluindo a Avenida Paulista e as marginais Pinheiros e Tietê, e a ideia é chegar a 220 até o fim do ano. Para 2016, o plano prevê 150 quilômetros de corredores de ônibus, mais efetivos do que as faixas. Com as intervenções feitas até agora, estudos preliminares teriam mostrando aumento na velocidade dos ônibus de 13km/h para 15km/h, o que, convenhamos, não motiva ninguém a deixar o carro de lado para subir no ônibus. Por isso, não dá para crer que a ampliação da área de restrição de circulação de carros levará os motoristas a se transformarem em passageiros.

Hoje, conversei com Luis Célio Botura, engenheiro especializado em transporte, sobre a pretensão da prefeitura em relação ao rodízio. Para ele a medida trará mais prejuízos do que benefícios, pois aumentará a quantidade de carros dentro dos bairros, em ruas pouco apropriadas para a circulação de veículos, onde, aliás, não existe monitoramento da CET (ou seja, sequer serão calculados nos índices de congestionamento da capital). Ele defende a ideia de a prefeitura atuar nos pontos críticos da cidade com melhor controle sobre os semáforos e a construção de passagens subterrâneas para eliminar cruzamentos como o da avenida Giovanni Gronchi com a Morumbi, na zona sul.

A redução do espaço para os carros em avenidas importantes da Capital, desde a implantação das faixas exclusivas de ônibus, tem gerado fortes críticas de motoristas (e estas vão aumentar com o fim das férias escolares, semana que vem). A prefeitura não deve recuar na iniciativa de implantar faixas apenas para ônibus, apesar da bronca de parcela da população. Não precisa, porém, tornar a situação ainda mais complicada com o aumento do rodízio. Vai comprar uma briga em troca de resultados pífios.

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